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Para ler…

10 Comments 22 December 2005

Extracto de uma Crónica da Clara Ferreira Alves acerca das Presidenciais (extraida do Diário Digital)…

Muito do que ela diz..acabamos por discutir nós no post sobre as Presidenciais..

Cris

 

“Portugal está empenhado, no sentido de penhorado, nos próximos anos, e hipotecámos as gerações futuras com um desprezo imenso pelo que vem depois de nós. Se tivesse alguma dúvida sobre as razões pelas quais apoiei Mário Soares como candidato presidencial, elas dissiparam-se no debate entre eles, que Soares claramente ganhou em termos políticos e pessoais, digam o que disserem.

Nada me move pessoalmente contra Cavaco, que reputo pessoa decente e incorrupta, o que não é pouco. Mas, de facto, ele não é um político, e de política nada sabe e nem a quer discutir. A política, para ele, é o exercício da autoridade ou o acordo tácito. O resto é pragmatismo empírico, e chavões sobre desenvolvimento, que conhecemos do tempo do cavaquismo, quando o desenvolvimento era o nosso motor de arranque e Cavaco o seu arauto, como primeiro-ministro. O primeiro-ministro do primeiro «tigre asiático» da Europa.

A verdade é que o modelo de desenvolvimento do cavaquismo, do betão e das auto-estradas ao modelo da Administração Pública, falhou. Graças a ele, e depois à fraqueza de Guterres, e à anedota dos consulados barrosista e santanista, estamos onde estamos. O mais bizarro é que Cavaco continua a falar como se fosse para primeiro-ministro e ainda ninguém o convenceu de que não vai, se for. E se for, vai com o seu partido atrás, que ele despreza. E a sua clientela, o empresariado português, a banca, com as facturas na mão.

O Presidente da República é e tem de ser um político, e um político experiente. Se os portugueses estão convencidos que a única razão que move Soares é a do seu egoísmo e da sua vaidade, e não um interesse nacional então merecem Cavaco Silva e a sua vacuidade política e presidencial. Então não perceberam nada do país que temos e somos, e elegerão o seu manequim. Cavaco é um homem de direita com uma visão de direita, incapaz de gerir um dificílima situação internacional e sem nenhum reconhecimento e conhecimento de política nacional, e, mais cedo ou mais tarde, Sócrates e o seu Governo e os portugueses em geral irão dar por isso. Se o elegerem, é porque o merecem. “


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